E ponto.
É?
É. É sempre assim que acontece. A gente aponta as pintas pardas na pele branca e colore um pouco um pedaço do peito. Mas a gente sempre perde... porque todo pingo cai pensando um pouco em como ser maior. E todo pingo sonha um pouco sol e arco-íris, caindo alto. E baixo também. E tem ainda quando a gente pinga e sonha negro. A gente não se olha na cara e se esconde por trás da chuva. E diz é ponto. E é final, mas não é. E aí é, sim. E ponto.
Óleo sobre tela; Guache no papel; Fogo sobre vela; Vinho sobre fel. Somos nós água e óleo.
segunda-feira, 22 de março de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
"Estrelas nos Olhos"
Lembra de quando a gente é pequeno e anda contando passos evitando pisar nas linhas? E quando a gente anda no meio fio e não pode cair? E lembra de lamber o sorvete rápido pra não derreter? E de quando a gente diz que "iu" num lugar? E de sentar no chão e sair de bermuda suja? E de tomar água gelada e sentir dor de cabeça? Queimar a boca com pão-de-queijo? Chamar a mãe de noite? Falar alto? Gritar? Lembra?
É... é que hoje eu lembrei. Mas parei de lembrar. Portas se coloriram e borboletas se abriram no lugar.
É... é que hoje eu lembrei. Mas parei de lembrar. Portas se coloriram e borboletas se abriram no lugar.
domingo, 14 de março de 2010
Full gas
É que eu tenho agulha e linha agora.
E eu descobri...
Depois da estrada tem outro lugar pra onde eu vou
Mas não fujo pra lá.
Só vou.
E se eu boto roupa na mala
É pra deitar na grama num chãozinho qualquer...
E eu descobri...
Depois da estrada tem outro lugar pra onde eu vou
Mas não fujo pra lá.
Só vou.
E se eu boto roupa na mala
É pra deitar na grama num chãozinho qualquer...
sábado, 13 de março de 2010
Segunda pessoa[e no plural]
choveu.
eu e o céu
meu e seu.
e eu chovi. Forte.
mas a grama sempre cresce depois disso.
e eu plantei.
eu e o céu
meu e seu.
e eu chovi. Forte.
mas a grama sempre cresce depois disso.
e eu plantei.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Éden
meio dia.
meio claro.
meio quente.
o sol em placa na terra úmida.
descalço, deixo passar a terra entre os dedos.
um cachorro late longe, bravo.
a árvore me olha, com suas acerolas.
desço e pego uma, levo à boca.
sinto sua doce acidez.
a árvore é justa:
não importam o preto e o branco.
o alemão e o turco.
o de anel de ouro e o de pulseira trançada.
todos ganham o mesmo doce e a mesma acidez.
só precisam encontrar suas árvores.
meio claro.
meio quente.
o sol em placa na terra úmida.
descalço, deixo passar a terra entre os dedos.
um cachorro late longe, bravo.
a árvore me olha, com suas acerolas.
desço e pego uma, levo à boca.
sinto sua doce acidez.
a árvore é justa:
não importam o preto e o branco.
o alemão e o turco.
o de anel de ouro e o de pulseira trançada.
todos ganham o mesmo doce e a mesma acidez.
só precisam encontrar suas árvores.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Efeito Ciclo-Dominó
Um moço passa na rua e me olha,
Eu também me olho no vidro da loja,
Eu penso a meu respeito,
Eu descubro um monte de merda,
Aí eu bebo e caio,
E ando da rua.
Aí um moço passa na rua e me olha...
Eu também me olho no vidro da loja,
Eu penso a meu respeito,
Eu descubro um monte de merda,
Aí eu bebo e caio,
E ando da rua.
Aí um moço passa na rua e me olha...
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Às Onze
Não sei ainda quem foi que me fez assim,
Desesperado, aflito, fugaz.
Sei que é peso que braço algum carrega mais,
Sei que é doce herança da solidão
Jazendo um eu sozinho.
Ainda não sei se é exagero,
Mas me recolho e choro, ausente de mim mesmo.
Desesperado, aflito, fugaz.
Sei que é peso que braço algum carrega mais,
Sei que é doce herança da solidão
Jazendo um eu sozinho.
Ainda não sei se é exagero,
Mas me recolho e choro, ausente de mim mesmo.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Li São
Às vezes a gente esquece
Que é fácil ficar rijo
E não parar de viver.
De vez em quando
A gente esboça sorriso na cara
E chora pra ver.
Tem dia que a gente se promete
Que não vai mais é nunca
Se deixar esquecer
Que vez em quando
A gente se esquece
De ficar acordado e não adormecer,
E quando a gente dorme a gente não se lembra
Que ficar acordado é quase que não morrer.
E ficar vivo é quase que um sonho
Que a gente só sonha depois de entardecer.
Que é fácil ficar rijo
E não parar de viver.
De vez em quando
A gente esboça sorriso na cara
E chora pra ver.
Tem dia que a gente se promete
Que não vai mais é nunca
Se deixar esquecer
Que vez em quando
A gente se esquece
De ficar acordado e não adormecer,
E quando a gente dorme a gente não se lembra
Que ficar acordado é quase que não morrer.
E ficar vivo é quase que um sonho
Que a gente só sonha depois de entardecer.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Seu Corpo e Eu, Corpus
Sua boca solta-me uma palavra.
Meu ouvido surdo só me diz barulho.
Sua mão diz-me, no rosto, devagar.
Não entendo, com minha pele grossa.
Seu cheiro me engana,
Já não sou tão bom entre ti e as rosas.
Então me olhas.
Assim, nem o vento mais negro poderá me enganar:
É seu olho batendo na porta e me chamando pra jantar.
Meu ouvido surdo só me diz barulho.
Sua mão diz-me, no rosto, devagar.
Não entendo, com minha pele grossa.
Seu cheiro me engana,
Já não sou tão bom entre ti e as rosas.
Então me olhas.
Assim, nem o vento mais negro poderá me enganar:
É seu olho batendo na porta e me chamando pra jantar.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Ladrilhando Lá Dre Lhonge
Eu não faço rima rara.
Só falo português,
Mas nem saco de sintaxe.
Neologismo meu não presta,
E eu nem me empresto nada de ninguém
Porque eu não sei fazer paródia.
Eu tento saber verso,
Risco folha com prosa,
Só aprendi literatura leve,
Ainda nem entendo Guimarães Rosa.
Mas ainda eu vou prestar.
Só preciso ler um dicionário
E montar um conceito. E me concentrar.
Só falo português,
Mas nem saco de sintaxe.
Neologismo meu não presta,
E eu nem me empresto nada de ninguém
Porque eu não sei fazer paródia.
Eu tento saber verso,
Risco folha com prosa,
Só aprendi literatura leve,
Ainda nem entendo Guimarães Rosa.
Mas ainda eu vou prestar.
Só preciso ler um dicionário
E montar um conceito. E me concentrar.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
A Flor e o Espinho
Flor: - É que agora que eu me toquei.
Moral da história: nem sempre a verdade nos faz bem.
Moral da história: nem sempre a verdade nos faz bem.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
domingo, 27 de setembro de 2009
Coca-Cola Light Lemon, TVa Cabo com Internet Gratuita, e eu Sozinho no Escuro
As pessoas discutem os assuntos da MTV e eu já não sei se vou aguentar tudo isso. Meninas grandes fingem crinanças enquanto seis namorados semanais sugam sua experiência sexual. E quantas são! As pessoas vão e vêm e continuam se achando importantes, mas não são. A verdade é que as coisas obedecem a fatalidade da vida: a morte. E na morte não se leva ninguém. Na verdade não se leva ninguém nem na vida. Pessoas plantam árvores masn detestam papel reciclado. Compram cachorrinhos POR QUINHENTOS REAIS e se desfazem deles sempre que latem demais ou fazem xixi no carpete da sala. Já não sei mais o preço de um vida. Mas ninguém se importam muito também... ninguém parou pra pensar se as coisas vão mudar ou continuar assim pra sempre. Ainda penso muito em Age of Aquarius, mas não descarto a idéia de uma guerra nuclear. Os lírios já não são bonitos como antes, nem os ipês tão amarelos como eu - e creio que só eu - vi na primavera passada. Também não tenho visto mais a chuva, mesmo ficando acordado à noite, mesmo sentado na varanda durante todo o verão. E assim se seguem as coisas. Ligo de novo na MTV.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
terça-feira, 11 de agosto de 2009
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Uma Última Tentativa dos Simbolistas
Uma pétala caiu no chão.
-Não morras. és ainda o último suspiro do verão que adentra o outono.
-Não morras. és ainda o último suspiro do verão que adentra o outono.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Clichê
Uma mulher, empregada doméstica,
foi estuprada num beco de um bairro pobre
sem infraestrutura e cheio de casas irregulares.
o estuprador, 22 anos, de classe media e estudante de direito,
foi preso, mas o soltaram duas horas depois porque seu pai
- muito influente na política -
mexeu uns pauzinhos para que fosse solto.
foi estuprada num beco de um bairro pobre
sem infraestrutura e cheio de casas irregulares.
o estuprador, 22 anos, de classe media e estudante de direito,
foi preso, mas o soltaram duas horas depois porque seu pai
- muito influente na política -
mexeu uns pauzinhos para que fosse solto.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Fortaleza[4]
a minha Fortaleza
é vazia por dentro,
é carcada de muro
o velada por vento.
o meu Precipício.
na minha Fortaleza
a palavra é infame
se cerra em si mesma,
estanca meu sangue.
o meu Prejuízo.
minha Fortaleza
é fechada ao eterno
muralha de carne,
de corpo fraterno.
o meu Egoísmo.
essa Fortaleza
é a sina, é um feto
que cresce por fora
que mata de perto.
um Eu-implosivo.
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*engraçado
é vazia por dentro,
é carcada de muro
o velada por vento.
o meu Precipício.
na minha Fortaleza
a palavra é infame
se cerra em si mesma,
estanca meu sangue.
o meu Prejuízo.
minha Fortaleza
é fechada ao eterno
muralha de carne,
de corpo fraterno.
o meu Egoísmo.
essa Fortaleza
é a sina, é um feto
que cresce por fora
que mata de perto.
um Eu-implosivo.
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*engraçado
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