quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A Mecânica Quântica, a Crença e a Confusão - ou um apelo aos descrentes

A Mecânica Quântica dissolve - e desnatura - todo conceito de Deus existente na gente. Como Acreditar em Deus se o universo se expandindo está entre uma estação de rádio e outra? Deus não pode estar presente nos 'espaços vazios' dos átomos. Só sabemos que Deus é luz, mas não se sabe ao certo se a luz é partícula ou onda. Não sabemos ao certo se há alguém como nós, ou o que acontece um pouco adiante da nossa galáxia. Não sabemos o que nos mantém girando por anos a fio em torno de uma coisa quente e brilhante. Não sabemos o que há no vácuo. Não sabemos porque átomos reunidos em células e células reunidas em tecidos e tecidos reunidos em órgãos e órgãos reunidos num sistema, que é a gente, fazem com que amemos uns aos outros - assim como já fomos amados por alguém.
Mas não acreditar em Deus é tolice. É tolice crer que as forças conspiram por si só e o entendimento humano pode juntá-las numa equação daquelas de letras gregas e constantes 'k', 'x' e 'y'. É importante saber um Deus, mesmo que ele esteja dentro da gente mesmo. Deus é uma parte da gente, daquela que faz a gente rir e chorar. Deus é exatamente aquela parte que faz a gente sangrar quando se corta, que faz a gente doer quando apanha, é aquela parte que faz a gente chorar quando está triste, é aquela parte que faz a gente se amar e querer abraçar a mãe da gente toda noite antes de dormir. Deus não está nas coisas grandes, tipo no que existe depois do universo em expansão. Deus está nas coisas mínimas: na formiguinha que a menina olha trabalhando, na cabeça raspada do menino que passou no vestibular, do bom-dia da sua mãe pelas manhãs. Deus não é pretencioso. Deus é epifânico. Ele não construiu o mundo rapidão e depois parou pra dar uma cochilada lá no céu(aquela coisa de gênesis). Não. Deus só tira folga quando tudo se acaba, e não sabemos ainda quando tudo se acaba. Não sabemos nem quando começa! Enfim: Deus vive nos espaços vazios entre os átomos da gente. Abramos, pois, um espacinho a mais pra ele, que ele tá afim de trabalhar melhor.
"Há mais coisas entre o céu e a Terra que a nossa vã filosofia por supor". E nem sabemos onde é o céu.

6 comentários:

Rodrigo M. Freire disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rodrigo M. Freire disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rodrigo M. Freire disse...

vc chega a um conceito de Deus bastante agradável! E este é o caso, não direi verdadeiro, mas poético... e a poesia importa mais à vida que a verdade, principalmente quando esta última se propõe absoluta!

Há momentos na prosa em que deus assume uma simplicidade pouco comum, e parece, este seu deus, que possui motivos mais nobres do que aqueles em que se fundamentou "Deus" por diversas religiões. Seu Deus é de uma falta de autoridade ou uma coisa mesmo adversa à autoridade: uma leveza.

O seu pedido de uma espaço para ele se faz ouvir, mesmo para um ateu. Cheguei mesmo a pensar, "Por que mesmo chamá-lo de "Deus", uma vez que esta palavra já me soa encardida pelas crenças que se impõem? A meu gosto, compartilho do sentimento, mas atribuo a este sentido outra palavra... como "infinito"?!... ou talvez que não atribua vernáculo algum e deixe a coisa assim, só um sentimento mesmo. Sentimento de que é bom o texto! E não altercaremos pela nossa diferente forma de "batizar" ou "denominar" as coisas!

Não acredito em um Deus... e não vejo o mundo como uma criação, mas como uma constante transformação! Porque criar aponta "ficar pronto", seja em seis dias ou em trilhares de anos... E concordo com Nietzsche no "eterno devir". Criar, ter concluído de alguma forma, por em movimento o que estava parado? Não creio neste sentido! Mas transformar, e desprender são experiências verificáveis! A matéria não surge, não é mesmo? Não aumenta a quantidade de matéria... Ela é também eterna, posto que é indestrutível! Haveria um transformador, então? Se vamos dizer que há este e se Ele detém um propósito ou não (para humanos ou para o universo), parece uma questão muito idiossincrática, uma questão de leitura de cada um, particularmente não credito (leio) agentes numa transformação, mas interagentes!

Leitura cada qual faz a possível e sua, né? Me cai somente acreditar que as coisas se transformam, e não que surgem feito uma mágica!

Veja bem, apesar do texto e talvez de o autor me achar um tanto tolo... Talvez eu também o ache tolo... Mas isto não importa! Que importa é o contato com a obra! E vc, entre outras coisas boas que fez, retirou muito da arrogância comum que há quando se versa sobre Deus ou não-deus!

Eu gostei da obra!
Abraço!

Rodrigo M. Freire disse...

vc chega a um conceito de Deus bastante agradável! E este é o caso, não direi verdadeiro, mas poético... e a poesia importa mais à vida que a verdade, principalmente quando esta última se propõe absoluta!

Há momentos na prosa em que deus assume uma simplicidade pouco comum, e parece, este seu deus, que possui motivos mais nobres do que aqueles em que se fundamentou "Deus" por diversas religiões. Seu Deus é de uma falta de autoridade ou uma coisa mesmo adversa à autoridade: uma leveza.

O seu pedido de uma espaço para ele se faz ouvir, mesmo para um ateu. Cheguei mesmo a pensar, "Por que mesmo chamá-lo de "Deus", uma vez que esta palavra já me soa encardida pelas crenças que se impõem? A meu gosto, compartilho do sentimento, mas atribuo a este sentido outra palavra... como "infinito"?!... ou talvez que não atribua vernáculo algum e deixe a coisa assim, só um sentimento mesmo. Sentimento de que é bom o texto! E não altercaremos pela nossa diferente forma de "batizar" ou "denominar" as coisas!

Não acredito em um Deus... e não vejo o mundo como uma criação, mas como uma constante transformação! Porque criar aponta "ficar pronto", seja em seis dias ou em trilhares de anos... E concordo com Nietzsche no "eterno devir". Criar, ter concluído de alguma forma, por em movimento o que estava parado? Não creio neste sentido! Mas transformar, e desprender são experiências verificáveis! A matéria não surge, não é mesmo? Não aumenta a quantidade de matéria... Ela é também eterna, posto que é indestrutível! Haveria um transformador, então? Se vamos dizer que há este e se Ele detém um propósito ou não (para humanos ou para o universo), parece uma questão muito idiossincrática, uma questão de leitura de cada um, particularmente não credito (leio) agentes numa transformação, mas interagentes!

Leitura cada qual faz a possível e sua, né? Me cai somente acreditar que as coisas se transformam, e não que surgem feito uma mágica!

Veja bem, apesar do texto e talvez de o autor me achar um tanto tolo... Talvez eu também o ache tolo... Mas isto não importa! Que importa é o contato com a obra! E vc, entre outras coisas boas que fez, retirou muito da arrogância comum que há quando se versa sobre Deus ou não-deus!

Eu gostei da obra!
Abraço!

Rodrigo M. Freire disse...

vc chega a um conceito de Deus bastante agradável! E este é o caso, não direi verdadeiro, mas poético... e a poesia importa mais à vida que a verdade, principalmente quando esta última se propõe absoluta!

Há momentos na prosa em que deus assume uma simplicidade pouco comum, e parece, este seu deus, que possui motivos mais nobres do que aqueles em que se fundamentou "Deus" por diversas religiões. Seu Deus é de uma falta de autoridade ou uma coisa mesmo adversa à autoridade: uma leveza.

O seu pedido de uma espaço para ele se faz ouvir, mesmo para um ateu. Cheguei mesmo a pensar, "Por que mesmo chamá-lo de "Deus", uma vez que esta palavra já me soa encardida pelas crenças que se impõem? A meu gosto, compartilho do sentimento, mas atribuo a este sentido outra palavra... como "infinito"?!... ou talvez que não atribua vernáculo algum e deixe a coisa assim, só um sentimento mesmo. Sentimento de que é bom o texto! E não altercaremos pela nossa diferente forma de "batizar" ou "denominar" as coisas!

Não acredito em um Deus... e não vejo o mundo como uma criação, mas como uma constante transformação! Porque criar aponta "ficar pronto", seja em seis dias ou em trilhares de anos... E concordo com Nietzsche no "eterno devir". Criar, ter concluído de alguma forma, por em movimento o que estava parado? Não creio neste sentido! Mas transformar, e desprender são experiências verificáveis! A matéria não surge, não é mesmo? Não aumenta a quantidade de matéria... Ela é também eterna, posto que é indestrutível! Haveria um transformador, então? Se vamos dizer que há este e se Ele detém um propósito ou não (para humanos ou para o universo), parece uma questão muito idiossincrática, uma questão de leitura de cada um, particularmente não credito (leio) agentes numa transformação, mas interagentes!

Leitura cada qual faz a possível e sua, né? Me cai somente acreditar que as coisas se transformam, e não que surgem feito uma mágica!

Veja bem, apesar do texto e talvez de o autor me achar um tanto tolo... Talvez eu também o ache tolo... Mas isto não importa! Que importa é o contato com a obra! E vc, entre outras coisas boas que fez, retirou muito da arrogância comum que há quando se versa sobre Deus ou não-deus!

Eu gostei da obra!
Abraço!

R. Avancini disse...

"É importante saber um Deus, mesmo que ele esteja dentro da gente mesmo."

acho que isso responde, já que vc é ateu.