quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Éden

meio dia.
meio claro.
meio quente.

o sol em placa na terra úmida.
descalço, deixo passar a terra entre os dedos.
um cachorro late longe, bravo.

a árvore me olha, com suas acerolas.
desço e pego uma, levo à boca.
sinto sua doce acidez.

a árvore é justa:
não importam o preto e o branco.
o alemão e o turco.
o de anel de ouro e o de pulseira trançada.
todos ganham o mesmo doce e a mesma acidez.

só precisam encontrar suas árvores.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Astrologia

Eu li que é tempo de sol em aquário.
Agora é tempo de diversão.

Mas e o Peixe?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Efeito Ciclo-Dominó

Um moço passa na rua e me olha,
Eu também me olho no vidro da loja,
Eu penso a meu respeito,
Eu descubro um monte de merda,
Aí eu bebo e caio,
E ando da rua.

Aí um moço passa na rua e me olha...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Às Onze

Não sei ainda quem foi que me fez assim,
Desesperado, aflito, fugaz.
Sei que é peso que braço algum carrega mais,
Sei que é doce herança da solidão
Jazendo um eu sozinho.

Ainda não sei se é exagero,
Mas me recolho e choro, ausente de mim mesmo.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Li São

Às vezes a gente esquece
Que é fácil ficar rijo
E não parar de viver.

De vez em quando
A gente esboça sorriso na cara
E chora pra ver.

Tem dia que a gente se promete
Que não vai mais é nunca
Se deixar esquecer
Que vez em quando
A gente se esquece
De ficar acordado e não adormecer,
E quando a gente dorme a gente não se lembra
Que ficar acordado é quase que não morrer.
E ficar vivo é quase que um sonho
Que a gente só sonha depois de entardecer.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Seu Corpo e Eu, Corpus

Sua boca solta-me uma palavra.
Meu ouvido surdo só me diz barulho.
Sua mão diz-me, no rosto, devagar.
Não entendo, com minha pele grossa.
Seu cheiro me engana,
Já não sou tão bom entre ti e as rosas.
Então me olhas.
Assim, nem o vento mais negro poderá me enganar:
É seu olho batendo na porta e me chamando pra jantar.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Ladrilhando Lá Dre Lhonge

Eu não faço rima rara.
Só falo português,
Mas nem saco de sintaxe.
Neologismo meu não presta,
E eu nem me empresto nada de ninguém
Porque eu não sei fazer paródia.
Eu tento saber verso,
Risco folha com prosa,
Só aprendi literatura leve,
Ainda nem entendo Guimarães Rosa.
Mas ainda eu vou prestar.
Só preciso ler um dicionário
E montar um conceito. E me concentrar.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A Flor e o Espinho

Flor: - É que agora que eu me toquei.

Moral da história: nem sempre a verdade nos faz bem.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Ladrilhos sonares,
Ventos solares,
Assim como alguém bem Ares
Vou matando a mim mesmo,
Devagar.
E sons de matéria pulam.
Devagar desce um sangue
Que pulou d'um peito.
Nem jorra mais.

domingo, 27 de setembro de 2009

Coca-Cola Light Lemon, TVa Cabo com Internet Gratuita, e eu Sozinho no Escuro

As pessoas discutem os assuntos da MTV e eu já não sei se vou aguentar tudo isso. Meninas grandes fingem crinanças enquanto seis namorados semanais sugam sua experiência sexual. E quantas são! As pessoas vão e vêm e continuam se achando importantes, mas não são. A verdade é que as coisas obedecem a fatalidade da vida: a morte. E na morte não se leva ninguém. Na verdade não se leva ninguém nem na vida. Pessoas plantam árvores masn detestam papel reciclado. Compram cachorrinhos POR QUINHENTOS REAIS e se desfazem deles sempre que latem demais ou fazem xixi no carpete da sala. Já não sei mais o preço de um vida. Mas ninguém se importam muito também... ninguém parou pra pensar se as coisas vão mudar ou continuar assim pra sempre. Ainda penso muito em Age of Aquarius, mas não descarto a idéia de uma guerra nuclear. Os lírios já não são bonitos como antes, nem os ipês tão amarelos como eu - e creio que só eu - vi na primavera passada. Também não tenho visto mais a chuva, mesmo ficando acordado à noite, mesmo sentado na varanda durante todo o verão. E assim se seguem as coisas. Ligo de novo na MTV.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Desdedado

Perdi um dedo.
É que ele ficou com minha arrogância
Quando apontei pro outro.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Silogismo

Homem é mortal.
João é homem.
João foi pra guerra.
(risos)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Portug-ex

Eu escrevo poesia.
E, por trás da regra,
Erro um português
Que nem nasci falando.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Uma Última Tentativa dos Simbolistas

Uma pétala caiu no chão.

-Não morras. és ainda o último suspiro do verão que adentra o outono.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Clichê

Uma mulher, empregada doméstica,
foi estuprada num beco de um bairro pobre
sem infraestrutura e cheio de casas irregulares.
o estuprador, 22 anos, de classe media e estudante de direito,
foi preso, mas o soltaram duas horas depois porque seu pai
- muito influente na política -
mexeu uns pauzinhos para que fosse solto.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Fortaleza[4]

a minha Fortaleza
é vazia por dentro,
é carcada de muro
o velada por vento.
o meu Precipício.

na minha Fortaleza
a palavra é infame
se cerra em si mesma,
estanca meu sangue.
o meu Prejuízo.

minha Fortaleza
é fechada ao eterno
muralha de carne,
de corpo fraterno.
o meu Egoísmo.

essa Fortaleza
é a sina, é um feto
que cresce por fora
que mata de perto.
um Eu-implosivo.

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*engraçado

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Game Over

o fluxo de consciência coloria um poema.
STOP!
Sinal vermelho! e multa por pensar assim, descontrolado.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Pro Mateus

Escrevo algo... a informação deveria ser uma só, mas as resticências exigiram uma idéia nova que acabou criando um texto todo. Acabei apagando o tudo e vi que havia pura gramática solta no papel. depoisdescobriqueapoesiasónascequandoagentepáradeprestaratenção
nasaulasdeportuguês.

sábado, 20 de junho de 2009

Nau | Sea

O meu porto era nevoeiro.
A a lua tremia na água que gemia nua
No vento da noite que ardia crua.
E eu era só enseio,
Ensaiava qualquer nota num violão quebrado
E fazia uma canção pr'aquela que m'engolia
E cospia maré no barco que afundava, calmo,
No horizonte.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Just Art

A just art.
A just arm.
A just part da poesia.
A just forma de mudar as coisas
É a just art.