terça-feira, 11 de agosto de 2009

Portug-ex

Eu escrevo poesia.
E, por trás da regra,
Erro um português
Que nem nasci falando.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Uma Última Tentativa dos Simbolistas

Uma pétala caiu no chão.

-Não morras. és ainda o último suspiro do verão que adentra o outono.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Clichê

Uma mulher, empregada doméstica,
foi estuprada num beco de um bairro pobre
sem infraestrutura e cheio de casas irregulares.
o estuprador, 22 anos, de classe media e estudante de direito,
foi preso, mas o soltaram duas horas depois porque seu pai
- muito influente na política -
mexeu uns pauzinhos para que fosse solto.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Fortaleza[4]

a minha Fortaleza
é vazia por dentro,
é carcada de muro
o velada por vento.
o meu Precipício.

na minha Fortaleza
a palavra é infame
se cerra em si mesma,
estanca meu sangue.
o meu Prejuízo.

minha Fortaleza
é fechada ao eterno
muralha de carne,
de corpo fraterno.
o meu Egoísmo.

essa Fortaleza
é a sina, é um feto
que cresce por fora
que mata de perto.
um Eu-implosivo.

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*engraçado

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Game Over

o fluxo de consciência coloria um poema.
STOP!
Sinal vermelho! e multa por pensar assim, descontrolado.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Pro Mateus

Escrevo algo... a informação deveria ser uma só, mas as resticências exigiram uma idéia nova que acabou criando um texto todo. Acabei apagando o tudo e vi que havia pura gramática solta no papel. depoisdescobriqueapoesiasónascequandoagentepáradeprestaratenção
nasaulasdeportuguês.

sábado, 20 de junho de 2009

Nau | Sea

O meu porto era nevoeiro.
A a lua tremia na água que gemia nua
No vento da noite que ardia crua.
E eu era só enseio,
Ensaiava qualquer nota num violão quebrado
E fazia uma canção pr'aquela que m'engolia
E cospia maré no barco que afundava, calmo,
No horizonte.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Just Art

A just art.
A just arm.
A just part da poesia.
A just forma de mudar as coisas
É a just art.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Akvo Kaj Oleo(Água e Óleo)

Sois água sob óleo.
Fazei de nós a não-mistura perfeita:
Akvo Kaj Oleo
Somos cada um a um
E um só num seu parado.

Dá-me tua mão,
Vem comigo ser água e óleo
Que separados, somos juntos
Melhor que todo mundo.

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bom... era mais ou menos essa a idéia do título desse blog. tô meio mal de escrita ultimamente, então resolvi reavivar esse lugar um pouquinho, apesar de saber os visitantes têm vindo auqi tanto quanto eu... mas se alguém passar por aqui, ao menos vai ver algo de novo.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Lepra Incontida

Tento pegar, caem os dedos da mão.
Caiu um pedaço meu a seus pés.
É o miocárdio do coração.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Portugueu

Sinta-se 10 com hexa
Que a minha palavra distorce
E chama alguém lá na esquina.
-Você! Ei aí! Mim de perto chega!

E ele fica. Não sei porquê.
Tento de novo, e não consigo.
Não sei porquê.

Me disseram que sou desconexo.
E falo de sintaxe perfeita[?]

Estou no quarto escuro, me divido ao meio:
Torço um terço de mim,
O outro é apena outro.
Aí eu me pergunto:

Na minha sintaxe quem sou eu e meu sujeito?

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A Mecânica Quântica, a Crença e a Confusão - ou um apelo aos descrentes

A Mecânica Quântica dissolve - e desnatura - todo conceito de Deus existente na gente. Como Acreditar em Deus se o universo se expandindo está entre uma estação de rádio e outra? Deus não pode estar presente nos 'espaços vazios' dos átomos. Só sabemos que Deus é luz, mas não se sabe ao certo se a luz é partícula ou onda. Não sabemos ao certo se há alguém como nós, ou o que acontece um pouco adiante da nossa galáxia. Não sabemos o que nos mantém girando por anos a fio em torno de uma coisa quente e brilhante. Não sabemos o que há no vácuo. Não sabemos porque átomos reunidos em células e células reunidas em tecidos e tecidos reunidos em órgãos e órgãos reunidos num sistema, que é a gente, fazem com que amemos uns aos outros - assim como já fomos amados por alguém.
Mas não acreditar em Deus é tolice. É tolice crer que as forças conspiram por si só e o entendimento humano pode juntá-las numa equação daquelas de letras gregas e constantes 'k', 'x' e 'y'. É importante saber um Deus, mesmo que ele esteja dentro da gente mesmo. Deus é uma parte da gente, daquela que faz a gente rir e chorar. Deus é exatamente aquela parte que faz a gente sangrar quando se corta, que faz a gente doer quando apanha, é aquela parte que faz a gente chorar quando está triste, é aquela parte que faz a gente se amar e querer abraçar a mãe da gente toda noite antes de dormir. Deus não está nas coisas grandes, tipo no que existe depois do universo em expansão. Deus está nas coisas mínimas: na formiguinha que a menina olha trabalhando, na cabeça raspada do menino que passou no vestibular, do bom-dia da sua mãe pelas manhãs. Deus não é pretencioso. Deus é epifânico. Ele não construiu o mundo rapidão e depois parou pra dar uma cochilada lá no céu(aquela coisa de gênesis). Não. Deus só tira folga quando tudo se acaba, e não sabemos ainda quando tudo se acaba. Não sabemos nem quando começa! Enfim: Deus vive nos espaços vazios entre os átomos da gente. Abramos, pois, um espacinho a mais pra ele, que ele tá afim de trabalhar melhor.
"Há mais coisas entre o céu e a Terra que a nossa vã filosofia por supor". E nem sabemos onde é o céu.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Hai! Caí...

O corte do braço
S'emancipa da lâmina.
Tampo a mão, disfarço.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

A Minha História

A ausência do personagem da minha história fez com que começasse e recomeçasse meu enredo por milhares de vezes. Ele é o homem. Uma vez tentaram retirar a máscara do homem pra ver o que havia por baixo dela; sem história nem enredo. Se assustaram tanto que o proibiram de voltar aqui, pra história. Agora fica tudo assim: sem enredo, sem personagem e sem história. O homem está se maquiando na tentativa de voltar à hiostória.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Projétil

Fiu lançado na noite.
Noite veloz e atroz.
Degustei a sombra da carne
Que apodrecia à noite.

Sou projétil humano
Lançado à terra e busca de vida.

Amai ao projétil!
Louvai o projétil!
Adorai o projétil!

Sou projeto.
Amai ao projeto.
Que o dia nascerá.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

(não sei um título)

Crie a imagem de um palhaço.
Agora de um palhaço muito alegre na perna-de-pau.
Um monte de crianças correndo em volta.
Colora tudo com bastante cor...
Colorido de gastar a ponta do lápis.

Agora pega o papel e joga no lixo.

Assim é a poesia.
A gente lê, emociona e guarda o livro.

domingo, 7 de dezembro de 2008

A escrita, o barulho e o dever

Ficaria sentado algum tempo sentindo a música se não fosse a obrigação de escrever algo. Era sempre aquilo. Nunca ouvia suas músicas por achar que devia escrever. O problema era justamente esse: estava tudo se tornando igual, sempre acontecia a mesma coisa. A faca suja de manteiga - ou margarina, nunca soube distinguir-, o papel no canto da mesa, todo rabiscado. Ah! Havia a mala quase pronta entre a sala e a copa. Devia estar pronta há uns seis meses. Dentro da mala algumas peças de roupa, umas meias, cuecas e uma escova de dente nova; fechada. Faltava somente um caderno e uma caneta. Senta à mesa e escreve. A música continua tocando, mas acaba virando só barulho solto.
Pronto: texto escrito... agora, atenção à música, por favor.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Goodbye

E o vento rega a face trigueira
Que se aproxima do chão
A 10 m/s².

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Gustação Poética

Diria até que não sofro.
Mas a poesia arranca a carne que nasce todo dia.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

A Luz e o Astronauta

Deuses e Deusas,
Se acasalam, laicos.
Nasce uma estrela!
Estrela-Deus.

Dá-me um milagre, Deus-Estrela!
Só um...
Deixa-me ser estrela,
Qu'estrela nunca morre.
Estrela sempre brilha,
Mesmo sem luz.

Há no fogo do Homem
Um pouco de luz de Estrela-Deus.